Odeio e Justifico

O lado bom do mau humor

Sobre a dor e a delícia de ser uma cat person

Não é preciso ir longe pra saber que existem apenas dois tipos de pessoas do mundo: as que gostam de cachorros e as que se identificam mais com gatos.

Existem também as pessoas que sentem atração sexual por cabritos, mas vamos ignorar os caprinos por enquanto.

Desde pequeno fui ocorrendo com a presença de cachorros. De um vira-latas de vinte centímetros, passando por uma Fila enorme e assustadora, até meu atual vira-latas de tamanho amedrontador que cheira traseiros e urina pela casa toda, sempre tive cachorros. Nunca fui fã de gatos.

Até conhecer minha primeira namorada, completamente apaixonada por gatos. Por força do hábito, comecei a me aproximar dos felinos e realmente mudei minha opinião quanto a eles. Cerca de quatro anos atrás, adotei meu primeiro gato, uma siamesa linda chamada Janis.

Nhoin que linda :3

Janis é, e sempre foi, um demônio. O mais gracioso dos seres infernais. Desde o primeiro dia, Janis me mostrou que seria um tormento em minha vida, e cada dia eu me apaixonava mais por ela.
Eu sempre interpretei a indiferença dela como um sinal de amor. Quanto mais ela me ignora, mas eu a amo. E faço de conta que este é o jeito dela me amar também (mas no fundo sei que ela nutre por mim nada senão total indiferença).

Cachorros são fiéis, capazes de demonstrar atenção e até sentimentos. Cachorros ficam felizes quando tu chega do trabalho, cachorros precisam de você para passear. Cachorros cheiram a virilha de todo mundo que entra na sua casa, só pra adquirir intimidade.

Já os gatos… Bem, gatos se importam tanto contigo quanto se importam com a crescente degradação da grande barreira de corais no leste da Austrália. Como se a indiferença para com seus donos fosse pouco, eles meio que invertem os papéis. Para eles, você é apenas um serviçal que oferece comida, abrigo e atenção quando necessário. Eles se consideram ídolos feitos de ouro que estão na Terra para serem idolatrados.

Janis não pode ser mais gato. O mais próximo de “carinho” que posso receber dela é uma brincadeira idiota em que ela trança minhas pernas pela manhã, no trajeto entre minha cama e o banheiro. Isso seria muito fofo e divertido se ela não avançasse em minhas pernas com a mesma voracidade que um leão branco africano avança em uma zebra. Com garras afiadas como navalha e dentes minúsculos mas pontudos, rasga a carne humana como faca quente na manteiga. Isso é particularmente ruim quando você tem que se deslocar pela casa com muletas, como fui obrigado a fazer alguns dias atrás.

Outra coisa ruim de gato é que o bicho solta pêlos na mesma freqüência que uma estudante de Farmácia sustentada pelos pais mostra os seios em festas de república. É tanto pêlo que, às vezes, me vejo jogando sujeira pra baixo do tapete, e eu nem tenho um tapete. Eu tenho certeza que, se eu juntar todos os pelos deixados por Janis em um ano, seria capaz de construir um modelo de urso polar em tamanho real.

Mas a indiferença, vista de certo ângulo, pode ser algo bom. Já ouviu aquela história de que a gente só valoriza algo de verdade quando perde? Então. Janis nunca está por perto, então quando a bichana aparece no meio da noite em cima da sua cama, a satisfação não tem tamanho.

Mesmo com métodos estranhos, gatos sabem demonstrar afeto. Por exemplo, algumas vezes Janis me acordou com mordidas no rosto, talvez na cena mais bonita que já vi na vida. Tudo bem que se eu tivesse o sono um pouco mais profundo, poderia ter a face toda mastigada e ficaria parecendo o Freddy Krueger. Enfim.

Ou então quando ela pula na sua cama as duas da manhã completamente coberta de barro, como na ultima terça-feira. Nada traduz carinho como dar banho em gato sujo de madrugada, num frio de congelar pinguins. Confesso ter ficado espantado: Janis havia absorvido tanta terra de sei lá onde saiu, que as obras pra Copa do Mundo foram atrasadas por dois meses por falta de terra.

Mas fiz isso tudo com um sorriso no rosto.

Gatos também costumam trazer presentes aos seus donos, meio como forma de marketing pessoal. Certa vez acordei e Janis estava parada, imóvel ao lado da cama, miando com certo entusiasmo. Achei curioso e fui fazer um carinho, fazer aquela pergunta idiota “o que você quer?” (esperando que ela não respondesse, afinal seria muito bizarro). Ao fazer carinho, vejo penas pelo chão do quarto. Janis havia pegado um pardal no quintal de casa e me trouxe o cadáver como presente.

Obrigado Janis, pássaros mortos são os meus favoritos.

Pra pessoas que não tem tempo sobrado pra ficar cuidando de um animal de estimação, gatos são perfeitos. Janis se comporta como aquele seu tio bêbado que some de manhã, volta no almoço, some de tarde de novo, só pra chegar de noite completamente bêbado, chamar sua tia de vagabunda e bater nela antes de ir pra cama.

Espera aí. Sumir o dia inteiro e quando chega em casa maltrata a esposa?

Seria minha gata alcoólatra?

Um pouco sobre esportiva

Nos últimos dias, pensando a respeito do novo post que demora tanto para sair, me deparei com um dilema muito complicado e que não me assombrava a muito tempo.

Este blog nasceu, cresceu e se multiplicou graças a comentários ácidos e, não raro, desrespeitosos e ofensivos. Mesmo que isso nunca tenha sido minha intenção, afinal não ganho absolutamente nada ofendendo gratuitamente pessoas alheias, algumas pessoas se ofendem com o que lêem.

A algum tempo atras, cheguei a conclusão de que nada ofende mais uma pessoa do que ouvir uma verdade sobre ela, principalmente se esta verdade é a respeito de algum comportamento que ela tenta esconder ou nega veementemente – ou pior, se esforça para evitar.

Por exemplo: eu tento ser agradável com meu circulo de amizades. Tento ser divertido, agradável, as vezes forço piadinhas, participo de brincadeiras que nem sempre sou a favor. Todo mundo faz isso, seria hipocrisia negar. Seria terrível pra mim descobrir que, mesmo eu me esforçando tanto para não sr chato, descobrir que minha turma me acha insuportável.

Ninguém gosta de ouvir verdades inconvenientes a seu respeito. Na hora de receber elogio, todo mundo recebe de orelha a orelha, todo mundo curte. Nunca vi ninguém que foi chamado e “prepotente e orgulhoso” sair comemorando e girando a camisa. Nunca vi neguinho ouvir que é “babaca e faz intriga” e sair dando abraço em quem diz uma coisa dessa.

Nunca liguei pro que os outros pensam, e isso me trouxe bastante problemas ao longo do tempo. O texto do Cascão, por exemplo, uma de minhas melhores criações, me trouxe problemas “extra-campo” quase irremediáveis.

Isso me diz muita coisa. Principalmente que a grande maioria das pessoas anda precisando aprender mais sobre esportiva. Saber ouvir as coisas e não se ofender é uma arte. Reagir violentamente a um comentário, seja ele realmente ofensivo ou não, é o que separa os humanos comuns, bando de retardados, das pessoas inteligentes.

Antigamente, ser chamado de “gordo” era sinal de que você acabara de ganhar um apelido. Hoje, chamar alguém de gordo resulta em acusação de bullying ou processo por assédio moral.

Impressão só minha ou a galera ficou mais bichinha ultimamente?

Férias em Acapulco

Venho através deste informar que teremos mais posts neste blogos dentro de alguns dias.

Estamos em período de provas e tenho que fingir que tenho uma vida real senão fica ruim pra mim né mano.

Enquanto isso,fiquem com uma piada muito engraçada.

Havia um ovo e uma salsicha em uma frigideira.

O ovo vira pra salsicha e diz:

- Nossa, está quente aqui, não?

E a salsicha:

- AAAAAAHHH SOCORRO UM OVO FALANTE!!!!!!

Sobre o MMA e os idiotas de cabeça pequena

Falar de esporte no Brasil é falar sobre paixões nacionais. Não que sejamos mais esportivos que outros países, longe, muito longe disso, mas esporte aqui tem um valor acentuado – uns dizem que é pelo coração do público, outros dizem que é nada menos do que seguir as tradições romanas de panis et circensis, a política do pão e circo.

Qualquer forma de ativismo passional é prejudicial, tanto à pessoa quanto à sociedade. Ao deliberadamente ignorar a realidade, deixar de lado o racional, e partir para a proclamação aos quatro ventos de que suas paixões e crenças estão acima da verdade, uma pessoa inspira ódio e ressentimento em outras. Seja divulgando religiões, sendo a favor do seu time do coração, seja contra o time adversário, qualquer intransigência perante crenças e gostos alheios é repreensível.

Dá a impressão de que nossas vidas são perfeitas demais pra perdermos tempo com ela, e decidimos ocupar nosso tempo falando mal da vida alheia.

Mas não é de hoje, também, que paixões nascem, crescem e morrem no coração do povo. Num país onde futebol é religião, outros esportes lutam pelo seu lugar ao sol durante anos. Alguns conseguiram certo destaque, através de glórias passageiras, mas também caíram no esquecimento quando o público se esqueceu de que gostava deles. Digo isso porque todo esporte que se destaca recebe o nome de “nova paixão nacional”, e este slogan é vendido como pepita de ouro pela imprensa nacional.

A “mais nova paixão nacional” da vez é o MMA (Mixed Martial Arts, ou “pancadaria desvairada” para os leigos).

Só que as “novas paixões nacionais” seguem um padrão muito interessante. Ao invés de o brasileiro se educar e começar a demonstrar interesse a novas modalidades, os únicos esportes que conseguem destaque no Brasil são aqueles onde os brasileiros são denominados “os melhores do mundo”. Isso só acontece porque a imprensa precisa de uma pedra fundamental, aquele ponto em que ela pode subir e repetir o tempo todo que ninguém vai contestar. A fórmula é simples: pegue um brasileiro que se destaca no esporte, associe o nome à marca e venda o produto.

Alguns dos esportes que foram alçados ao panteão de “paixão nacional”, e que nem sempre ficaram lá em cima, são:

O MMA cresceu tanto, e tão rápido, no Brasil, que hoje é acompanhado por duas frentes bem definidas:

- Os que suportam, respeitam, entendem, praticam ou assistem o esporte;
- Os que não tiveram tempo de se informar direito e preferem fazer críticas superficiais sobre algo que não conhecem.

Sobre o primeiro grupo, nada a declarar, bom pra eles. Sobre o segundo… bem…

O principal argumento daqueles que não gostam de MMA é que é um esporte violento, desleal, sanguinário. Ainda há aqueles que dizem que “é coisa de viadinho ficar agarrado no meio das pernas de outro homem suado”. Eu tenho pena destas pessoas.

O MMA não é violento. É um esporte de força e técnica – dã, o nome do bagulho é ARTES MARCIAIS MISTAS – cujo objetivo é derrotar o adversário através de socos, chutes, hadoukens e finalizações, embora os hadoukens tenham sido proibidos em 2002. Não existem facas, não existem nunchakus. Existem regras muito bem definidas cujo único objetivo é PROTEGER o lutador. Assim como todo esporte, existem os maus jogadores, e estes são punidos exemplarmente pela organização dos eventos. “Ah não vejo graça num esporte em que é permitido chutar a cabeça do adversário no chão!!”, diz o hater, mal informado o suficiente pra não saber que tais atitudes são proibidas no MMA.

As lutas são justas. Por exemplo, no UFC, se um dos lutadores ultrapassa o limite de peso da categoria, o adversário tem a opção de não enfrentá-lo. Caso optar por lutar, mesmo assim parte do cachê do lutador acima do peso vai para o outro, como forma de punição.

É raro haver lutadores discutindo – sequer conversando – durante as lutas. Mesmo que os dois estejam com as caras rasgadas de sangue, se cumprimentam educadamente no começo de cada assalto e no final das lutas. Em cima do ringue os caras são rivais, não inimigos. Muitos deles inclusive treinam juntos, são amigos fora do octógono. Aos olhos dos leigos, é “briga de rua” – uma briga de rua onde os dois lutadores se cumprimentam e se abraçam ao final da luta, mesmo se cobertos de sangue e mais inchados que vagina de prostituta em fim de expedientes. MMA não é desleal, não é brutal, não é nada disso. Todos que entram no ringue sabem no que estão se metendo.

Aliás, a “porradaria desenfreada desleal” é extremamente técnica. É só querer assistir com os olhos certos.

Dizer que “a humanidade se tornou primitiva ao vibrar com sangue jorrando”, como disse o respeitado jornalista Juca Kfouri (um dos maiores nomes contra o MMA no Brasil) é uma enorme bobagem, uma falta de respeito aos profissionais e um exemplo de preconceito a uma modalidade esportiva que cresce pra caralho no país.

Existem esportes muito mais violentos que o MMA. Acompanho o esporte mais a fundo a um ano, praticamente, e nunca vi nenhuma lesão séria acontecendo com um atleta. Durante as lutas, vemos hematomas e cortes nos lutadores, sangue no ringue e tudo mais, mas aquilo é apenas um corte. Dois, três pontos depois da luta e o cara tá treinando na segunda-feira. Nunca vi uma ruptura de ligamento, uma perna quebrada – CALMA HATER, EU SEI QUE EXISTEM, mas não é comum. Agora, em outros esportes…

ODEIO E JUSTIFICO LISTA TRÊS ESPORTES MAIS VIOLENTOS QUE MMA

3- Rugby

Tu já viu um jogo de rugby? Sério, precisa falar alguma coisa?

2- Futebol

Poucos esportes nos dias de hoje exigem tanto do corpo do atleta quanto o futebol. Pra ser disputado em alto nível, praticamente tudo no corpo do jogador deve funcionar com a sincronia de um relógio suíço. Músculos, ossos, nervos e ligamentos são levados ao extremo da resistência em rotinas desgastantes de treinos e jogos acumulados. Não há tempo para descanso. O atleta precisa ser perfeito fisicamente e ainda precisa aprimorar a parte técnica. Futebol é lindo, e cruel pra caralho.

Jogadores de futebol correm sete, oito, dez quilômetros por jogo. Alguns nem isso, mas mesmo assim precisam daquela explosão no momento decisivo, aquele último pique aos trinta do segundo tempo… e é aí que a merda acontece. Ao colocar o corpo praticamente em massa crítica, os atletas ultrapassam o limite da resistência e estouram alguma coisa. Joelho, tornozelo, coxa, virilha… quer fazer o teste? Pegue um fim-de-semana e veja quantos jogadores saem lesionados de campo.

Jogadores ficam meses em recuperação, com fisioterapia e os mais competentes profissionais ao seu dispor. Mesmo assim, melhoram e voltam a se contundir. Quase ninguém morre, tudo bem, mas nem por isso deixamos de ver cenas que fazem a torcida inteira gritar UUUUUUHHHHHH quando acontecem.

Isso sem falar na violência que o futebol atrai. Torcidas apaixonadas, torcedores idiotas que se matam por “amor ao clube” ou por vingança. Coisa de retardado.

1- Formula 1 e esportes automotivos.

Ah, são tantos exemplos…

Pra começar, nossa querida Fórmula Truck, o esporte que nasceu pra dar errado. Dá uma olhada neste vídeo, onde o caminhão praticamente DESMONTA COMPLETAMENTE. Curiosamente, logo no esporte com a maior chance de haver um acidente de verdade (afinal são CAMINHÕES CORRENDO A 180Km/h), não houve nenhuma morte até agora.

Falando sobre esporte de caipiras, na Nascar americana acidentes acontecem com maior intensidade. Aliás, grande parte do público (geralmente rednecks curtindo salsichas e cervejas) só acompanha as corridas para ver os carros voando. Neste vídeo, vinte carros se envolvem numa grande dança caótica, onde chamas e destroços chamam nossa atenção.

Na nossa Nascar, a Stock Car, também existem acidentes. Neste vídeo, um acidente impressionante sob forte chuva acabou por tirar a vida do piloto Gustavo Sondermann, de 28 anos.

Falando de tragédias, no ano passado também tivemos baixas na Fórmula Indy. O inglês Dan Wheldon, campeão da categoria em 2005, morreu depois de se envolver em um grande acidente na pista de Las Vegas.

E na elite do automobilismo, um show de tragédias. Pra começo de conversa, por mais apaixonado que eu seja, eu já não acho que Fórmula 1 seja um esporte competitivo. Hoje é mais uma competição de montadoras do que uma competição de pilotos. Mas enfim, continuemos:

Neste link você vê que, em 50 anos da categoria, foram quase 60 mortes.

Tudo bem, a última morte foi a doze anos atrás (logo de quem…), mas quantos pilotos já quase se foderam na Fórmula 1? Barrichelo, Kubica, Massa, Schumacher, Webber… mesmo que não houveram mortes, foram tantos acidentes graves nesses últimos doze anos que provam que, por mais seguro que seja o esporte no papel, colocar um ser humano dentro de uma banheira de aço e carbono pra correr a 320 km/h ainda é algo arriscado.

E olha, se o Senna lutasse MMA, não tinha morrido, rs.

Resumindo: enquanto no MMA a lesão mais séria é um cortezinho, nos outros esportes tem GENTE MORRENDO. E vocês vêm falar que MMA é violento?

Ahh, vão pro inferno.

Falar que um esporte é violento sem conhecer é muita babaquice. Eu mesmo, pra não ser hipócrita, não gosto de wrestling (WWE, etc) e acho retardada a idéia de um monte de maluco fazendo lutas ensaiadas e gente que torce por algo que é combinado – mas como eu disse, eu NÃO CONHEÇO o esporte. Provavelmente não só estou errado, como deve ser algo realmente divertido.

Enquanto tem torcedor de “organizada” combinando porradaria generalizada no estádio em que futuramente levarei meus filhos, nunca ouvi falar de porradaria generalizada em uma torcida de evento de MMA.

O “País do Futebol” sempre vai ser o país do futebol – não pela qualidade da pelota que tá chutando, mas pela cabeça fechada que não permite que outros esportes cresçam no país.

Santa perda de tempo

Sabe, estou repensando meus conceitos sobre a vida.

relevância-cia-cia

Não sei se tenho pena, dou risada ou ofereço um abraço praquele pessoal que comenta matérias do Ego, tipo “Dançarina do Latino (que ainda não é famosa pois pra gente reconhecer tem que usar o Latino como referência) lança ensaio nu e mostra as pernas“.

A mina vive de balançar o rabo a poucos centímetros do nosso nariz, mostra as pernas e vira notícia. A mina é dançarina do Latino.

 

Bom, primeiro que ser jornalista no Brasil deve ser a profissão menos levada a sério do universo. Até atendente de açougue tá valendo mais, né.

Segundo que aquelas pessoas devem ter a vida tão perfeitamente no lugar que, no puro tédio que a perfeição causa, decidem que sua missão na terra é comentar nos posts do Ego.

– MARAVILHOSA. – diz o rapaz.

É AMIGO, NESSAS ELA VAI LER O TEXTO E ENTRAR EM CONTATO COM O CARA, VAI VENDO!! SE SUA ESTRELA NÃO BRILHA NÃO OFUSQUE O BRILHO DA MINHA!!

Pênis.

Mais um pouco sobre o que aconteceu comigo e tal

A grande parte dos meus leitores são pessoas misteriosas, que sempre estão presentes mas não se manifestam por motivo algum. De um tempo pra cá, vocês se tornaram um mistério para mim. Sei quantos são, mas não sei quem são.

O post anterior teve uma reação interessante. Embora não tenha dado a repercussão esperada no próprio blog (os comentários ficaram vazios por dias), pessoas que não conheço ou que quase nunca converso, resolveram falar comigo a respeito do que leram, comentando sobre o texto pessoalmente.

Talvez porque seja meio difícil assumir que se está jogando a vida fora, ou que se comporta exatamente como eu disse naquele texto. É recompensador ser reconhecido pelo que faz (ou escreve), mas muito melhor é a sensação de que o que você disse foi assimilado por outras pessoas. Nunca quis ser “formador de opinião”, mas se eu fiz uma pessoa repensar suas atitudes, já ganhei a vida.

“Mas o que aconteceu, afinal?”

No texto, eu disse que foi preciso que um carro atravessasse meu caminho pra eu repensar grande parte da minha vida. Não dei muitos detalhes até então, pois deixo o blog um pouco impessoal justamente para ter esse “espaço” entre o cara que escreve e o cara que vive. Depois de seis anos, essa separação acaba sendo necessária.

Tenho certeza de que alguém que está lendo este texto já passou por isso, mas a grande maioria, não. Então, vamos à pergunta:

Você sabe o que acontece em um acidente de moto?

Parece um pão francês, só que mofado

Isto acontece. Por menor que seja o impacto, quando você dirige um veículo cuja natureza é cair, o resultado de qualquer coisa tem reflexos bastante negativos em você.

Indo para o trabalho, acertei exatamente na junção das portas de um Gol prata, que não havia respeitado a sinalização enorme de PARE no meio da rua. O curioso é que eu lembro do impacto com tantos detalhes que sou capaz de recordar o que pensei no momento: “Puta que pariu, vou bater de novo?*”.

*Digo “de novo” porque, em 2009, passei pela mesma situação. Só que daquela vez fui atingido por um ônibus e eu não sofri absolutamente nada.

Foi uma batida forte, mas tive sorte de não atingir nenhuma janela do carro. Um centímetro a mais para o lado e eu teria entrado carro adentro, quebrando vidros e me rasgando inteiro. Minha primeira reação foi gritar, pela dor CABULOSA que sentia e pra chamar a atenção de transeuntes – dica de profissionais, sempre faça isso. Movi os dedos dos pés, das mãos, tudo funcionando… menos o pé esquerdo. Pensei na moto.

Legal como ela ficou com uma "aerodinâmica" com o guidão virado pra direita

A moto estava atrás de mim, vazando gasolina. Não tentei me levantar, nem conseguiria pela GALERA que juntou ao meu redor ORDENANDO pra eu ficar imóvel. Minutos depois, fui levado para o pronto atendimento da Santa Casa, frustrado pela falta de sirene da ambulância. Não me senti digno de sirene.

No hospital, fui atendido pelo doutor Cristiano de Oliveira Maia, que perguntou onde doía. Expliquei que sentia muita dor e não conseguia mover o pé esquerdo. O doutor, sem tocar em mim, apenas me trocou de maca.

A maca em que cheguei, dos bombeiros, é colocada sobre a maca do hospital. Pra retirar a maca de cima, é preciso “rolar” o paciente para o lado, retirando a de cima e deslizando-o sobre a maca de baixo. Acontece que o “doutor” resolveu me rolar POR CIMA DA PERNA QUE EU DISSE QUE SENTIA DOR. Gritei de dor, ele saiu da sala para voltar ao seu trabalho de ficar de braços cruzados em um balcão, olhando para o nada.

Dez minutos doutor, o médico grita de longe:
- CONSEGUE ANDAR?
- NÃO. – respondi, com um certo tom de “não tá vendo que meu pé tá zoado, porra?”
- VAI LÁ TIRAR UM RAIO-X!

Absurdos à parte, desci da maca pulando e falhando miseravelmente em me deslocar por mais de um metro até a porta. Pegamos uma cadeira de rodas e fomos tirar o raio-x. Minutos depois e de radiografia em mãos, voltamos ao médico. Uma análise de trinta segundos depois e uma receita de anti-inflamatórios (como praticamente tudo o que se receita hoje em dia), o médico me libera do hospital.

- Não tem nada aqui não, pode ir pra casa. Se continuar doendo, você volta.

Por alguma política idiota do hospital, eu não pude sair usando a cadeira de rodas. Tive que sair pulando do pronto-atendimento até o estacionamento do hospital, sentindo meu pé pular por dentro. Por uma lei criada por algum idiota de terno que fica sentado o dia todo preocupando-se com a potência do ar condicionado, acidentes de trabalho precisam OBRIGATORIAMENTE ser atendidos no sistema público de saúde.

Acontece que, ainda bem, tenho plano de saúde. Na segunda consulta, foi constatada uma fratura nos ossos do calcanhar. Por precaução, foi marcada uma terceira consulta com um especialista no outro dia. Vinte e quatro horas de muita dor depois, o diagnóstico final: eu era dono de uma lesão seríssima nos ligamentos do calcanhar esquerdo, e que caso não houvesse cicatrização seria preciso uma cirurgia.

Enquanto recebia as más notícias, eu só conseguia lembrar do que havia acontecido um dia antes. Eu havia sido LIBERADO do primeiro hospital com uma receita de remédio e um diagnóstico FURADO baseado em um raio-x QUEIMADO e um médico plantonista que me atendeu com a menor vontade do mundo. O mesmo médico que me mandou ANDAR pelos corredores do hospital com pé quase que completamente solto por dentro.

Devidamente imobilizado e diagnosticado, vim para casa escrever meus textos.

***

Eu costumo dizer que há um ponto positivo pra tudo. Mesmo sendo difícil enxergar através da imensa barreira de dor e incômodo constante que ligamentos rompidos causam, existe algo positivo em sofrer um acidente de moto. E é exatamente disso que saiu aquela lição do texto passado.

O pior de tudo não é a dor, não é o desconforto. O pior é se tornar dependende de outras pessoas para quase tudo. Se eu tenho sede, eu tenho duas opções: ou caminho de muletas até a cozinha, arriscando bater, tropeçar ou cair, me servir um simples copo d’água e beber lá mesmo, pois não posso carregá-lo; ou grito pra minha vó, uma valente senhora de setenta e cinco anos me servir. Ninguém reclama de ajudar, mas eu me incomodo em pedir coisas tão simples pra outras pessoas.

Mesmo assim, estou longe do direito de reclamar. Existem problemas muito maiores que os meus, não tenho o menor direito de sair amaldiçoando ninguém por um pé que não funciona.

Sinceramente, eu disse a verdade no último post. Hoje, sou muito mais grato pelo que funciona do que puto pelo que está danificado.

Uma relação de (muita) reclamação e (pouca) gratidão

Já aviso agora que este não vai ser um post engraçado, sequer divertido. Mesmo tentando ser positivo na maioria do tempo, não encontro motivos pra ser engraçadinho enquanto tento fazer você abrir sua cabeça e aprender comigo uma pequena lição de vida.

Seres humanos têm a mania idiota de reclamar. Reclamar de absolutamente tudo, por menor que seja o assunto. Um iPod que não sincroniza com o seu programa, um ar condicionado que não refresca a sala, ou que refresca a ponto de congelar a secreção nasal das pessoas. Pessoas reclamam sobre o BBB. Pessoas reclamam porque ainda não é sexta.

AFF CHEGA LOGO SEXTA

Pessoas reclamam de absolutamente tudo.

Também temos a mania idiota de arrumar desculpas para tudo. Gastamos mais tempo (e vontade) arrumando desculpas esfarrapadas para acobertar negligência ou preguiça do que realmente fazendo o que precisamos ou queremos fazer. Estas desculpas servem um único propósito: nos estabelecer dentro da zona de conforto.

Zona de conforto é quando tudo o que você tem, quer e faz é o ideal. Você não desprende esforço nenhum em executar estas atividades, elas te trazem o mínimo de prazer e satisfação. Passamos a maior parte do tempo nessa zona do conforto, e muitas vezes desejamos estar assim, só que uma vez aqui dentro, fica difícil sair. Seres humanos também têm a mania idiota de querer e valorizar o que não tem. Então, uma hora, a zona do conforto passa a ser desconfortável – e aí entram as desculpas novamente.

Para sair da zona do conforto, você precisa tomar atitudes. As desculpas impedem que as atitudes tomem forma.

Você decide que quer começar a frequentar uma academia. Então começa a pensar nos problemas: muito caro, o horário é complicado, a falta de companhia é um problema também. Resultado: você não faz nada disso e volta pra onde estava.

Você quer começar a ler mais livros, ter mais cultura. Aí lembra que não tem tempo pra isso, que não se interessa por leitura, que não tem recomendações de bons livros… e novamente não faz nada.

É aqui que entra minha história.

Acabo de viver o pior ano de minha vida, marcado por más decisões e as complicações derivadas delas. Parei a faculdade, tomei a pior decisão profissional da minha vida, tive problemas em casa… enfim. Acontece que, mesmo com estes problemas acontecendo, eu estava em minha zona de conforto.

Precisava me dedicar mais na faculdade, arrumar um novo emprego, até me exercitar e me alimentar melhor. Escrever mais para o blog, me dedicar a projetos secundários, me aproximar de pessoas com os mesmos interesses. Eu sabia que queria fazer muitas coisas, e algumas delas eu precisava fazer.

E para cada coisa que eu queria fazer, eu arrumava cerca de vinte motivos que me impossibilitavam.

Na última segunda-feira, fui tomado por “indignação” por mim mesmo. Faltei da faculdade por preguiça, fiquei jogando videogame em casa. Quando me toquei que tava jogando minha vida fora por besteira, pensei em mudar. “Acho que vou começar a caminhar quarta-feira pela manhã, me dedicar mais na faculdade…”

Só que no meio do caminho tinha um Gol prata.

Caso você não tenha passado pela experiência, não há nada de divertido ou interessante em sofrer um acidente de trânsito. De moto, então, nada legal.

Pelos danos causados na moto e pela violência do impacto, eu tive bastante sorte. Apenas uns ligamentos do tornozelo lesionados, nada demais. Pessoas costumam morrer em acidentes de moto todos os dias, tive a sorte de não ser uma delas. Estarei imobilizado pelas próximas seis semanas, com o risco de fazer uma cirurgia complicadíssima. Além disso, mais dois ou três meses de fisioterapia e mais algum tempo para perder o medo de andar novamente.

Foi no pronto-socorro que aquela tradicional ironia kármica tomou conta de mim. Um dia antes do acidente, eu estava amaldiçoando o tipo de vida que estava levando. Um dia depois, estou com o pé envolto por dois quilos de espuma em pleno verão sertanezino, e assim estarei por meses e meses.

Se eu quero tomar um copo d’água, duas opções: ou eu grito para minha avó, uma valente senhora de 75 anos, levantar do sofá para me servir, ou eu demoro vinte minutos para conseguir levantar e caminhar até a cozinha de muletas e saltitos, colocando em risco minha recuperação.

Se eu queria começar a caminhar e a preguiça me impedia, agora não posso andar. Se eu amaldiçoava o lugar horrível que trabalho, agora não posso trabalhar. Além disso, a dor ABSURDA que estou sentindo. Além do tornozelo, todo fodido por dentro, o resto do corpo paga o preço por um membro que não trabalha.

Costumo dizer que ninguém é capaz de mudar por si só, que é preciso um um evento enorme pra fazer pessoas mudarem seus hábitos, suas atitudes. Foi preciso que a vida colocasse um carro no meu caminho pra que eu aprendesse a valorizar o que eu tenho. Não vou dizer que foi uma experiência transcedental, que foi um ato místico, que vi uma luz branca ao fechar os olhos, mas digo que isso tudo foi capaz de me mudar, sim.

Pelo menos a visão que tenho de quão idiota eu estava sendo, jogando minha vida fora e reclamando de coisas pequenas. Por mais brega que seja o discurso, hoje SEI que devíamos ser um pouco mais gratos por funcionarmos perfeitamente.

Eu sei que meu problema está longe de ser grave. Famílias que passam o mês com um salário mínimo, isso é um problema grave. Eu não tenho sequer o direito de reclamar da dor. Por mais fodido que esteja meu pé, ainda posso me mover e tenho ótimas pessoas ao meu lado que me ajudam ou me encorajam. Mesmo nessa situação, não tenho motivos pra reclamar de nada.

E você, vai continuar reclamando do quê agora?

Fale com o motorista apenas o necessário

Se um dia você tiver o prazer de conhecer este humilde blogueiro pessoalmente, vai perceber muitas coisas. Primeiro, eu sou cheiroso. Segundo, que eu me visto muito mal, por displicência e por falta de vontade de adquirir novas roupas. Terceiro, que eu irritantemente quieto a maioria do tempo.

Não sou aquele quieto freak, que fica no canto da festa julgando todos vocês por minúsculos detalhes. Isso eu também faço, mas enfim. Eu sou quieto porque às vezes não vejo necessidade em conversar, ou apenas não me atrai. Muitas vezes prefiro me voltar aos meus raciocínios ao invés de ficar dando risada a toa sobre qualquer coisa, só pra parecer sociável.

Isso fica evidente em um lugar em especial: o barbeiro.

CONFESSA KUAKUA VC NAO ESPERAVA POR ESTA PIADA

Veja, há 3 anos eu corto o cabelo no mesmo lugar, religiosamente frequentado a cada dois meses. Não pela qualidade do serviço, pelo ambiente ou pelo charme do atendente, mas pela comodidade: a menos de duas quadras de minha casa. É um lugar deveras modesto, de pouco mais de vinte metros quadrados, frequentado apenas por homens.

O que? Você corta o cabelo em um… “cabeleireiro”? É, meu amigo. Eu tenho uma coisa a falar sobre seus conceitos e você pode não gostar muito. Homem corta cabelo em barbeiro, quem corta em cabeleireiro é colírio.

Neste lugar, bancos de cimento confortam nossos traseiros enquanto nos deleitamos com revistas de anos atrás. Você pode pensar “bah, mas que lixo”, mas é sempre interessante ler uma Veja de dez anos atrás e ver o que era esperado e não aconteceu – é praticamente como viajar ao passado sabendo tudo o que acontece no futuro. Não existe luxo, porque homens de verdade não precisam de luxo.

O salão tem a comodidade de se encontrar a menos de 30 metros de um bar. Fila de espera muito grande? Levante-se, compre latas de cerveja para todos no ambiente e espere sua vez degustando o néctar sagrado.

No banheiro não há porta, porque para um local cheio de homens ela não é necessária. Homens têm um código de conduta a respeito de liberação de excretas. Homens mijam na rua a dez mil anos e nunca precisaram de portas. Homens sabem quando o banheiro está ocupado, e respeitam a distância. Não existe pia, as mãos são lavadas (quando são) no mesmo lugar onde se lavam os cabelos dos clientes. Nojento? Não. Homens sabem que um pouco d’água lava qualquer coisa.

Mas o atrativo do lugar é a conversa. Quando homens se reúnem, sempre existe conversa, sobre vários assuntos. Pescaria, cerveja, mulheres, situação econômica, esportes ou ainda a televisão ligada em qualquer noticiário – tudo é motivo para prosa. E é aí que o problema começa, pelo menos para mim.

Caso você tenha vivido numa caverna escura nos últimos duzentos anos, existe um provérbio popular em especial que, de tanto ser repetido em placas quase não notadas mundo afora, se tornou uma verdade universal.

Sabe porque essa frase existe? No século 18, um fazendeiro búlgaro chamado Histo’e Mentchyra guiava sua carroça carregando seus doze filhos até a cidade. Como sua casa ficava nas colinas, todos os dias ele tinha que descer até o vale para buscar leite e levar suas crianças até a escola. Era um dia chuvoso quando, à beira da estrada, Histo’e Mentchyra encontrou um camponês polonês perdido e cansado. Disposto a ajudar, o colocou em sua carroça, já superlotada de crianças, e foi em direção à cidade.

O problema é que o polonês era muito comunicativo. Em menos de meia hora, o camponês polonês já tinha feito mais perguntas ao fazendeiro do que era necessário. Histo’e Mentchyra sempre foi um homem muito concentrado, introspectivo, não gostava de conversar. Vendo que o camponês polonês não se contentava com o silêncio, sempre querendo saber mais e mais de sua vida, resolveu conversar com o rapaz. Distraído pelas perguntas, o fazendeiro tomou a curva errada na estrada e, por estar ocupado em responder as perguntas do camponês polonês, não viu o momento em que sua carroça caiu em um desfiladeiro sem fim, onde seus corpos foram consumidos por um dragão das trevas que cuspia lava maligna.

Desde então, essa frase se encontra em todos os meios de transporte público do mundo, para evitar que, ao conversar, o motorista se distraia e dirija o ônibus dentro de um… desfiladeiro… ahn… ok, tudo bem, eu posso ter ido longe demais com a brincadeira, mas você entendeu.

Eu não posso me sentir culpado em não gostar quando alguém manipula tesouras afiadas e navalhas a poucos centímetros do meu cérebro. Talvez seja o único órgão do meu corpo que seja avantajado em relação a outras pessoas, e eu pretendo mantê-lo funcionando por muito tempo. E se enquanto ele se concentra em conversar comigo, se distrai com a tesoura e me deixa com a porra do cabelo do Neymar? Caralho!

Não importa quanta prática ele tenha, não importa o quão mecânico qualquer trabalho se torna depois de quinze anos de experiência: conversar durante o trabalho causa distração, e distração atrai erros. Eu imagino um neurocirurgião retirando um tumor do cérebro de uma criança de cinco anos, quando o instrumentista cirúrgico começa a falar do meio-campo do Curintia. Um corte errado e o cirurgião transforma uma criança feliz em uma cenoura.

Se conversar durante o trabalho fosse coisa boa, em todo controle de tráfego de aeroporto teríamos Carlos Casagrande comentando as jogadas aéreas. 

- Vôo 134CU, reduza a 5 mil pés e dirija-se à pista dois, copiou?

 

HÃÃÃÃÃNNNNNN COM CERTEZA

A mesma coisa com o meu cabelo. Cara, meu cabelo já tá no fim, já é difícil de domar o bagulho. Aí eu tenho que viver na ponta da faca, esperando que meu barbeiro faça o serviço direito e me deixe menos constrangido de mostrar essa penugem sem graça ao mundo. Se ele errar, são DOIS MESES tentando esconder a merda que ele fez.

Fica quieto enquanto corta meu cabelo, porra. É pedir demais?

Sobre alguns idiotas

O mundo está cheio de pessoas idiotas.

Idiotas são aquelas pessoas que apontam dez dedos alheios na sua cara pra reprovar algo que você faz. Atitudes, roupas, gostos, palavras. Os idiotas são aqueles que dizem “você não faz o que eu faço ou como eu faço, então você está errado”.

Idiotas, em sua maioria, gostam de usar o termo “infantil”. Aquele rapaz está brincando com o apoio do poste? Infantil. Aquela menina está atravessando a rua e dando risada? Infantil. São todos um bando de crianças.

E é aí que mora o erro. Estes idiotas geralmente colocam “infantilidade” e “criança” como coisas parecidas. Na verdade, entre a infantilidade e a insistência em ser criança não são coisas sequer parecidas.

Aliás, existe uma muralha da China guardada por centuriões armados e baterias anti-aéreas entre infantilidade e insistir em ser criança.

A definição de ser infantil é bem simples: tratar assuntos sérios com a cabeça de uma criança de 10 anos.

Ser criança é muito mais que isso.  É fazer o que te dá na cabeça, quando der. Não se importar com preconceitos, com regras, com etiqueta, com bom gosto. É rir daquele cara que tropeça na rua, é atravessar a avenida de costas, é quebrar pacote de macarrão no mercado.

Quando eu era criança, tava pouco me fodendo se estava feliz ou não. Só pensava em uma coisa: brincar com meus amigos. Parava absolutamente tudo o que estava fazendo se ouvia o quicar da bola na rua de casa. Em dez segundos, estava descalço, chutando a pelota no asfalto quente.

Ser criança é brigar com o amigo durante o jogo e dez minutos depois convidar o cara pra ir jogar Super Nintendo na tua casa mais tarde, tomando suco e comendo Elma Chips. Ser criança é “ficar de mal” de alguém e mesmo assim todo mundo vê que um não vive sem o outro.

Ser criança, aliás, é meu próprio conceito de felicidade.

“A busca pela felicidade” que todo mundo faz hoje em dia, nada mais é do que a luta entre a felicidade que você realmente tem e a que tu deixa a vida roubar de ti. Porque, sinceramente, quem consegue se comportar daquele jeito hoje em dia?

Se no mundo de hoje ser criança é uma coisa negativa, perdoem-me os senhores, pois vou morrer dando risada de gente que tropeça na rua e quebrando macarrão no mercado.

Fodam-se vocês, reis do bom senso e cagadores de regras. Fodam-se vocês, que corrigem o que os outros falam, vestem ou fazem.

Fodam-se vocês, idiotas.

“Curte meu celular, ele curva o espaço-tempo”

Se tem um conselho que eu sempre dou é: se for pra ter um celular, tenha um bom celular.

Veja, celulares são exatamente como carros. Existem os carros caros demais, que você jamais vai poder comprar; existem os carros mais baratos e completamente confiáveis; existem os carros populares, que você provavelmente dirige, existem as carruagens do século 18… e abaixo de tudo que possui rodas e é capaz de se locomover, inclusive aqueles monociclos de palhaço, existem os carros chineses.

Ainda é melhor que um carro chinês

A diferença entre cada uma dessas categorias é o que cada um dos carros é capaz de fazer. Os carros caríssimos prometem (e cumprem) romper a barreira do som em menos tempo que você leva para socar uma criança. Os carros populares e confiáveis não fazem nem perto disso, mas também não prometem.

Os carros chineses, no entanto, prometem fazer tudo o que todos os outros carros fazem, possuir tudo o que os outros carros possuem. A diferença é que tudo sai por menos da metade do preço, e nunca deixa de ser um produto de merda.

Com celulares, a mesma coisa. Existem os iPhones, acima do bem e do mal (você os ama, você os odeia, mas adoraria ter um); existem os Androids caros, os acessíveis, os baratos, os populares. Existem até aqueles modelos que pesam cerca de dois quilos e seu pai teimava em carregar na cintura.

E abaixo de tudo isso, inclusive dos telefones de lata e corda, temos os celulares chineses.

Pra começo de conversa, o nome. Todo celular chinês é descrito como MPX, onde X é um número de um ou dois algarismos que “simbolizam” o que o celular é capaz de fazer.

Acompanhe: essa desgraça começou nos Mp3, que rodavam Mp3, arquivos de música. Depois, tivemos os Mp4, que rodavam arquivos de vídeo (formato Mp4 ou .3GP). Daí em diante, cada nova função do celular era um número a mais em sua descrição. Última vez que vi, estávamos no MP35 – o que seria um celular com 35 “funções diferentes”.

Mas veja bem: o iPhone é como uma Ferrari Enzo. Se todo carro sonha em ser uma Ferrari Enzo, todos os celulares querem ser um iPhone. Pra isso, teriam que oferecer tudo o que um iPhone tem, fazer o que ele faz e, principalmente, ter a qualidade que um iPhone tem. Uma Ferrari Enzo não custa caro à toa, assim como um iPhone não custa caro à toa.

Aí chegam os celulares chineses, aqueles MP35 que falei mais cedo.

OLHA MEU CELULAR KRA EH UM MP35 ELE TEM GPS BLUTU TELA TOTSCRIN E SE LIGA NESSE SOM

Os celulares chineses são como carros feitos no quintal de casa, por mãos de crianças chinesas, que recebem um pão a cada semana de trabalho incessante. Quando prontos, prometem tudo o que uma um celular de verdade faz, só que por apenas dez por cento do valor.

Sabe o que acontece quando tu compra um celular chinês? Com o celular, nada. Contigo, o arrependimento vem como uma avalanche quando percebe que ele realmente oferece tudo o que promete, mas tudo é de qualidade sofrível.

Se o iPhone (ou qualquer celular) não enfia “35 funções” em um aparelho e o vende a menos de 100 reais, significa que fazer isso é uma merda. Os chineses fazem isso, fazem propaganda de que isso é sensacional e os idiotas compram – e acreditam que fizeram o melhor negócio de todos os tempos.

O mais legal é que todo mundo que compra um desses PRECISA fazer propaganda. É como se uma entidade marqueteira tomasse conta, convencendo todos ao redor de que o produto “é de qualidade mesmo que os outros pensem ao contrário”. Nada mais é do que uma tentativa desesperada de dizer “calma gente, eu sei que o celular é pura tranqueira, mas veja pelo lado bom, agora eu posso ver televisão no ônibus”.

Colocar oitenta “funções” num celular tá longe de ser algo bom. É mais ou menos como tu pegar a ceia de Natal de uma família italiana, com trinta deliciosos pratos, bater no liquidificador e servir como vitamina. Tecnicamente, estão todos os pratos ali, e todos num só lugar, mas você gostaria de tomar isso? Não.

Meu chefe comprou um desses mp35 a dois meses. Saiu espalhando que era um negócio espetacular, um celular com quatro chips, pega rádio, televisão, duas câmeras, capta sinais de vida extraterrestre, curva o espaço tempo e muito mais, tudo num lugar só.

Aí depois de dois meses usando o celular, acontece algo como isso:

A bateria engordou. A bateria do celular sensacional que ele comprou, o melhor negócio do século, resolveu colocar o regime de lado e cair na feijoada no fim de semana.

Baterias expandindo não são fenômeno raro, mas mesmo assim é um bagulho perturbador. Nem tanto quanto aquelas baterias que esquentam horrores e queimam teu bolso, mas ainda sim é algo escroto.

Dá pra reparar ali que o bagulho tava pronto pra explodir na orelha de alguém.

***

Falando sobre carros ou celulares, qualidade tem preço, e sempre vale a pena pagar um pouco mais em algo bom e confiável. Eu pago caro por um celular que não tem televisão, não tem quatro chips, mal funciona o bluetooth, mas estou plenamente satisfeito e feliz com minha compra.

Prefiro usar meu velho N95 todo quebrado e que esquenta a orelha do que comprar um celular xing-ling que promete fazer o mundo, mas acaba sendo pior que um sapato em questão tecnológica.

E você aí, compraria um celular chinês?